Oi, meu nome não é Agatha Pessoa!

 

É Agatha... mas não é "Pessoa"! "Pessoa" foi como me apelidaram na faculdade pela dificuldade que eu tinha de lembrar o nome das pessoas.  Não é que eu não me importe, é que meu HD reconhece outras coisas como mais importantes, como o rosto, o som da voz, um gesto de gentileza. Por isso não me julgue quando a gente se encontrar e eu te chamar apenas de "pessoa", isso não quer dizer que eu não me lembro de você.

Eu sou mãe do meu melhor amigo, Arthur, e de um gato vira-lata chamado Humberto Gessinger, ou Beto, pros íntimos.

Eu sou mineira, de Manhumirim, MG. Meu pai era representante comercial quando eu era criança e, vira e mexe, minha família mudava de cidade. Eu já morei em outras cidades de Minas, como BH e Valadares, e também outros estados, como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Goiás. Até os meus 14 anos eu tinha uma média de uma mudança por ano. Eram muitas "pessoas" pra lembrar tendo morado em tantas cidades. Acho que é daí que vem a minha memória seletiva.

Mas, quando eu tinha 15 anos, meus pais decidiram jogar a âncora e a gente voltou pra onde tudo começou, onde eles se conheceram, onde se casaram, onde eu nasci... E foi nessa cidadezinha no interior do país, ao redor do Pico da Bandeira, na Zona da Mata mineira, que eu aprendi (e ainda aprendo) a fazer, amar e viver o artesanato.

Mais do que a tradição mineira e o ar arteiro que Minas tem, duas pessoas foram essenciais para o meu aprendizado:

1) Minha avó materna, Guamandyra, a Dida, descendente de índios, de fé católica inabalável, pianista apaixonada, simples, calada e tricoteira de mão cheia. Eu deitava no seu colo, desde muito pequena até quase caber só a cabeça, e pedia pra ela me contar histórias. E as histórias dela não tinham nada de princesas ou castelos. Ela me falava do dia do seu casamento; do nascimento da minha mãe ou do meu; da viagem que fizeram pra Guarapari, de fusca, no Ano Novo... Ela me ensinou que é possível ser feliz com o que se tem! Ela também me ensinou as primeiras correntinhas de crochê pra que eu a deixasse quieta enquanto tecia ou costurava, mas nunca passamos daí. Eu não aprendi tricô com ela, achei que teria tempo depois, mas aprendi a amá-lo e herdei suas agulhas quando ela faleceu em 2005. Uma de suas amigas, pouco tempo depois, me ensinou os primeiros pontos...

2) Minha mãe, Rosana, tem o jeito alemão que herdou do meu avô. Ela é bonita demais, de poucas palavras, séria e inabalável. Ela já era assim quando ficou viúva com 38 anos e três filhos pequenos. Ela fazia a gente inflar de emoção quando se mostrava carinhosa, o que era raro, mas nunca deixou que sentíssemos as dificuldades que passamos, e foram muitas. Ela me ensinou que falar de amor e amar são duas coisas completamente diferentes. Ela também me ensinou a ultrapassar a barreira das correntinhas no crochê quando fiquei grávida, com dezessete anos, e queria fazer alguma coisa com as minhas próprias mãos pro bebê. Ela era severa no quesito perfeição. Graças a Deus!

Com 21 anos fui diagnosticada com um câncer tão agressivo quanto raro pra alguém da minha idade e, apesar da parte mais conhecidamente dolorosa do câncer (quimio, rádio e cia.) ter sido breve, sofri por mais de 10 anos com as sequelas que o tratamento, sim o tratamento, me deixaram. Nesses 10 anos, entre internações e cirurgias, adquiri uma rotina de estudos das artes manuais que, além de preencher o meu tempo, mantinha minha sanidade. Nem preciso dizer que, a essa altura, a faculdade de Direito cursada por intermináveis 7 anos foi abandonada assim que concluída.
 
Em 2012 abri minha primeira loja virtual no falecido AIRU, especializada em artigos infantis confeccionados em crochê: o Armarim. E o hobby virou trabalho e complemento da renda familiar.
 
Em 2014 minha vida teve uma reviravolta. Em junho, o hospital me liberou do acompanhamento constante e entregou o que restou do meu corpo remendado pra, enfim, uma vida normal. Em novembro, tomei posse no concurso dos meus sonhos, que deixou minha mãe feliz por eu ter um trabalho quadradinho que se utilizava da minha formação e, por se tratar de uma jornada de 6h, permitiu que eu caminhasse com o meu trabalho manual paralelamente. No mesmo mês, o projeto de feira colaborativa de artesanato que idealizei pra minha cidade, o Arte na Praça, se tornou uma realidade. E, em dezembro, fui co-fundadora, junto com mais quatro amigas, de um coletivo de artes manuais que me ajudou a definir o caminho que gostaria de seguir dali pra diante. O Amores de Minas durou o tempo necessário pra nos amadurecer profissionalmente. A partir dele e entre estratégias de marketing, paletas de cores e reuniões deliciosas, a gente ia descobrindo pra onde queria ir, com quem queria estar e o que queria fazer... 2015 foi um ano maravilhoso pra mim! O ano mais produtivo, inspirador e colorido da minha vida.
 

Mas foi em 2016 que eu conheci a verdadeira plenitude que o artesanato pode proporcionar. Foi ensinando outras pessoas e dizendo pra elas do poder maravilhosamente transformador do artesanato, que eu encontrei a felicidade. Seja como hobby, como fonte de renda extra ou principal, como veículo de empoderamento, como forma de colorir a sua vida e a de quem o cerca, ou seja pelo simples prazer de dizer "Eu que fiz!", ficou bem claro pra mim que a minha missão é propagar o artesanato e dizer que qualquer um é capaz. Em junho de 2016, tive minhas primeiras alunas do curso de crochê para iniciantes, composta por mulheres corajosas que nunca tinham pegado numa agulha. Tenho muito orgulho dessas moças.

Pausa para agradecer à Adriana Damasceno, Adriana Dantas, Anna Paula, Arianna Cotrim, Simone Carvalho, Simone Feitosa e Mariana Sangy, as primeiras pessoas a acreditar no meu trabalho, minhas aluninhas queridas! A todas as outras que vieram depois e às que virão, também o meu muito obrigada!

E pra que você faça parte dessa turma louca por artesanato, basta começar. Eu, através desse blog e dos demais canais contidos nele, estou aqui pra te ajudar... Entre e fique a vontade!